Impressões de leitura - 2020
Ryokan Taigu - 1758 - 1831
Título: TODOS OS HAICAIS
Autor: Ryōkan Taigu
Tradução: Roberto Schmitt-Prym
Ensaio: Andrei Cunha
ISBN 978-85-94187-41-3
Formato: 12 x 18 cm.Páginas: 70
Gênero: Poesia
Publicação: Class / Bestiário, 2020
Coleção completa dos haicais do monge budista Ryōkan Taigu, em edição bilíngue.
Ryokan foi um importante monge, calígrafo, poeta. Eu conhecia alguns dos seus haicais e sentia muita curiosidade por seu estilo de escrita. Então, na ocasião do lançamento do livro, excepcionalmente preferi comprar o e-book em pré-venda, antes do livro impresso. Foi a união do momento - pandemia, curiosidade sobre o livro e necessidade de focar em algo que me despertasse atenção. Terminei a leitura e mais do que nunca, convicta da atemporalidade do haicai. Explico, ainda que se refira ao momento presente, há nestes poemas tamanha percepção da vida, da natureza e da transitoriedade. Sem ser subjetivo, o haicai pode falar ao coração e aos sentimentos de sempre.
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| Riôkan Taigu |
Eis aqui um haicai de Ryôkan que me fala de saudade, ainda que o kigo seja a primavera. Em tempo de isolamento social e pandemia, reflete meus sentimentos atuais. Como estarão, os amigos, os parentes, os que isolados sentem a ausência do normal? A inconstância dos dias futuros enquanto a primavera ainda não vem. Ao leitor que chegou até aqui, preciso esclarecer que este texto não é uma resenha, são minhas breves impressões de leitura sobre esse livro tao interessante.
Gostei muito, Ryokan escreveu haicais melancólicos, fortes, de grande presença pessoal. Há em seus haicais um profundo sentimento de solidão, a imensidão da natureza e contemplação humana. As notas do tradutor são bem esclarecedoras, principalmente no que refere a costumes ou kigos de outras épocas e lugares.
As observações a seguir foram retiradas/resumidas do prefácio do Professor Andrei Cunha. O ensaio no posfácio do livro é muito bonito, principalmente o trecho sobre a cuia de esmolas e a humanidade.